sábado, 10 de agosto de 2013

Fahrenheit A farsa do 11 de Setembro



fahrenheit 11 de setembro
Logo no início de "Fahrenheit 11 de Setembro" (Fahrenheit 9/11) já vemos a que veio Michael Moore, documentarista premiado por seu trabalho anterior "Tiros em Columbine" (Bowling for Columbine): ao tentar explicar o que aconteceu na eleição que deu a vitória a George W. Bush, ele se pergunta se tudo não passou de um sonho. Ele mesmo responde: foi tudo real.

Em esse filme, Michael Moore tem apenas o objetivo declarado desde o início de difamar o presidente George W. Bush e fazer acreditar que todo o seu governo foi uma imensa mentira, uma farsa arquitetada por ele e seus companheiros texanos pra favorecer as grandes corporações as quais eles comandam. Para isso, começa com a farsa das eleições, depois passa pela carreira de Bush como empresário (falido), busca a ligação entre Bush e a família Bin Laden, o favorecimento das corporações comandadas pelos correligionários de Bush através do atentado às torres gêmeas e, finalmente, mostra a grande farsa da Guerra do Iraque.

A genialidade do novo filme de Michael Moore está na utilização de imagens de arquivo e de depoimentos. Moore optou por aparecer menos durante o filme e editou as imagens pesquisadas de depoimentos de Bush e seus companheiros da maneira que bem entendeu, além de inserir as entrevistas que realizou. Desta maneira, ele cria as cenas mais engraçadas do filme colocando falas de Bush em momentos diversos, guiando seu documentário através da locução em off. Assim, ao invés de manipular o filme através de sua presença na tela, Moore manipula as imagens de arquivo, usando falas fora de contexto, repetições e imagens banais do presidente, como a cena em que Bush joga golfe. Porém, aqui reside um aspecto importante do filme: o seu caráter metalingüístico, já que reflete sobre o documentário e mexe na estrutura e na proposta que esperamos de um documentário. Durante os créditos iniciais, ao mostrar Bush e os principais nome de seu governo sendo penteados e maquiados antes de transmissões televisivas, algo trivial mas aqui utilizado para ridicularizar essas pessoas, Moore já deixa claro que manipulará imagens e que seu único objetivo é ridicularizar Bush, tentando fazê-lo o homem mais incapaz do mundo. Portanto, Moore subverte o que o público espera (inocentemente) de qualquer documentário: investigação e imparcialidade. Investigação o filme possui, entretanto nada imparcial. Moore declara abertamente nos créditos iniciais que não está nem aí para as regras éticas do documentário e que não está fazendo cinema. Ele quer convencer o povo estadosunidense de que reeleger Bush é um mal para o país. Neste ponto o filme é doutrinador, mas aqui está seu caráter mais importante e onde reside a metalinguagem, pois em nenhum momento o filme procura não ser doutrinador e imparcial. E ao tentar não fazer cinema, mas sim tentar convencer o povo da mentira que é Bush, paradoxalmente ele faz um grande filme, um cinema político de primeira.

Aqui, características de um cinema de qualidade estão presentes em maior escala que "Tiros em Columbine". Moore evoluiu como cineasta, pois entendeu como deixa as imagens falarem mais do que sua intervenção na tela. O personagem Michael Moore aparece apenas em quatro momentos no filme, deixando que as imagens de arquivo tenham um destaque, mas Moore sempre está presente, já que a locução guia a atenção do público para as falas das imagens. Após a primeira hora de filme, a locução descansa e mais as imagens começam a falar por si só, principalmente após a seqüência de imagens dos militares no Iraque. Outras cenas conseguem um grande destaque, como a que Bush fica sabendo do ataque às torres e o depoimento de Britney Spears (nem ela escapou). Contudo, as mais fantásticas cenas são as dos civis iraquianos que perderam parentes durante o ataque dos EUA (contrapondo-se à precisão que Rumsfeld proclama da força militar estadosunidense) e a maravilhosa cena em que retrata o choque dos aviões contra as torres em Nova York apenas com o som e a tela preta durante toda a seqüência. O som é única referência de que é o atentado de 11 de setembro...

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